Se ouviu, você ouviu certo! Aconteceu
Era um 24 de outubro pacato. Acontecia mais uma edição (mais especificamente a vigésima quarta) do Prêmio Multishow, a mais importante premiação musical brasileira da atualidade. Até então, foram 23 anos de apresentações de sucesso de grandes artistas. Uma verdadeira festa. Só os grandes, os fortes, os estabilizados e fixos no topo. Sem espaço para os menores, para os indies.
Em 2011, foi a vez da organização do Prêmio criar o Juri Especializado, uma banca com grandes nomes de pessoas que estudam e entendem sobre a música brasileira, dentre eles críticos e jornalistas. Na edição de 2016, foi esse Superjuri (como é chamado o tal grupo) que concedeu dois dos prêmios da noite para o grupo baiano (e independente) BaianaSystem. Estranho? Sim. É percebemos essa estranheza de diversas formas. Antes de tudo, a reação do público não é a mesma. Quer dizer, eles aplaudem, mas por educação. Não temos todo o calor de quando um nome de peso sobre ao palco para receber a categoria “Melhor Cantor(a)”.
O Baiana nem apareceu. Não sabemos, até hoje, o que falariam naquela ocasião. Receber um prêmio que não foi concedido por voto popular, isto é, se apresentar para uma plateia que não necessariamente esperava a sua presença, é um tanto estranho. Mas experimentamos isso novamente na edição de 2017, mas dessa vez teve gente subindo no palco para dar as caras, sim!
Letícia Novaes, que atualmente assina com o nome Letrux, ganhou a categoria de “Melhor Álbum” pelo SuperJuri. Ao subir ao palco, com seu jeito irreverente mas ao mesmo tempo sem esconder a emoção, deu seu depoimento a todos. Fez, obviamente, propaganda do álbum em questão, “Letrux Em Noite de Climão”. Segundo ela e as brincadeiras do apresentador Fábio Porchat (que não necessariamente havia ouvido o disco), o álbum é bom tanto para cozinha quando para uma noite quente de sexo. Ao se despedir, ela soltou um breve porém simbólico “Viva à música independente!”.
Você já parou para pensar no quão contraditório e assustador isso é para a indústria fonográfica?
A outra apresentadora da premiação, a humorista Tatá Werneck, brincou diversas vezes ao longo da noite com o nome do cantor Luan Santana. Por que? Porque ele sempre aparece nas premiações, sempre leva algum prêmio para casa. Quer dizer, ela sabia (e provavelmente o público também) que nenhum outro nome é tão forte do que o de Luan quando a discussão é “quem é o melhor cantor brasileiro?”.
Agora, imagine só se a música independente criasse cada vez mais espaço nessas premiações. A confusão que seria. A quantidade de artistas concorrendo no páreo. Luan Santana poderia perder essa categorial para uma figura carismática como a de Rincon Sapiência, por exemplo. O SuperJuri já entendeu que esses independentes merecem um espaço cada vez maior, seja por conta de suas composições com cada vez mais criatividade ou qualidade.
Quando será que o grande público vai entender? Será que, quando esse momento chegar, o cenário vai passar a favorecer nomes tímidos na mídias? Só o tempo nos dirá...

Comentários
Postar um comentário